top of page

Vitória | Crítica sem spoilers

Vitória finalmente chegou aos cinemas, e mesmo não tendo o mesmo marketing ou força do último longa nacional, e ganhador do Oscar, Ainda Estou Aqui, esse é um filme que merece muito reconhecimento e chega a ser, sem dúvida alguma, um novo espetáculo!



Dirigido por Andrucha Waddington e com roteiro de Paula Fiuza e Breno Silveira, Vitória é um emocionante drama que conta a história real de Dona Nina/Vitória (Fernanda Montenegro), uma senhora solitária que, aflita com a violência que passa a tomar conta da sua vizinhança e em conflito com os vizinhos, começa a filmar da janela de seu apartamento. A idosa registra a movimentação de traficantes de drogas da região durante meses, — e posteriormente também descobre o envolvimento da própria polícia no esquema — com a intenção de cooperar com o trabalho policial. A atitude consegue chamar a atenção de um jornalista, que faz amizade com Nina/Vitória e tenta ajudá-la nessa missão.


Não estamos falando de "apenas mais um filme para o catálogo nacional", estamos falando de "mais uma obra-prima da nossa cinematografia". O filme já começa sóbrio e objetivo, deixando bem claro a densidade e profundidade da história, sem brechas e sem dar voltas nas cenas para ganhar tempo. A primeira impressão ao assistir logo os primeiros minutos é muito singular, ele te lembra um longa que seria exposto ou exibido em algum festival de cinema conceitual, o que dá uma boa sensação de déjà-vu, que você sabe que aquele filme vai te entregar mais do que promete. Em alguns momentos, este filme poderia ser facilmente comparado a Cidade de Deus, outra obra nacional que nos orgulha e nos impressiona por sua qualidade e capacidade de retratar tão bem uma verdade crua, que mescla o estilo documental com a arte do drama e atuação, e foi isso que Vitória conseguiu trazer de modo tão natural.



Sem muitas delongas, vamos apurar alguns dos principais aspectos desse filme para que você, caro leitor, possa entender o porquê de ir até o cinema. Se tratando de enredo e roteiro, que andam juntos, é claro, objetivo, sucinto e sem voltas desnecessárias para compensar tempo de tela, muito pelo contrário. Existem pausas entre as cenas e os diálogos para contemplação da fotografia do filme, — que irei tratar mais para frente — mas você percebe que é tudo planejado e pensado para estar ali, para mostrar a vida de Dona Nina, para mostrar a realidade de uma comunidade. Nada que está ali é por acaso, e o espectador percebe isso. A experiência não se torna chata, não é maçante, cada cena e cada diálogo do filme te fazem ficar atento para saber o que vem logo em seguida, já que tudo flui muito bem neste longa. Realmente, não tem como despontuar algo no enredo, uma vez que ele conta muito bem uma história que foi documentada, e não tem como despontuar algo no roteiro, já que ele consegue ser limpo e trazer o drama e a emoção para uma história tão forte e tão real, e esses dois aspectos se casam muito bem.


Outro ponto a ser tratado é a sua fotografia. Eu poderia dizer que é um mero detalhe na história, mas se tratando de um filme onde a protagonista desmonta uma rede de tráfico usando uma filmadora, não tinha como não notar. Apesar de toda a história se passar no Rio de Janeiro, e isso quer dizer que normalmente nos deparamos com imagens alegres e quentes da "cidade maravilhosa", em Vitória nós conhecemos o Rio através de lentes frias, lentes rápidas e escuras, o movimento em tempo real aos passos da protagonista, uma fotografia que certamente foi pensada, também, para se adequar à história. E, claro, também temos a experiência de ver as imagens que foram capturadas pelas próprias mãos de Dona Nina, em uma filmadora de época. A filmagem trêmula, o zoom em cada captura do tráfico no morro, tudo isso é uma experiência à parte.



Para fnalizar, no quesito atuação esta autora nem precisa se demorar. Estamos falando de Fernanda Montengro, no auge de seus 95 anos de idade, interpretando uma senhora solitária, uma idosa que relata ao longo do filme como a vida foi cruel com ela e como mesmo assim ela não se importa de correr mais riscos para defender algo em que acredita. O espectador não só sente empatia pela personagem de Dona Nina/Vitória, o espectador sente toda a carga emocional de quem é a personagem, de como é estar naquele lugar e não ter mais nada a perder. Além de Montenegro, Alan Rocha e Linn da Quebrada também contribuem com boas atuações e tornam o filme ainda mais emocionante.



Por fim, gostaria de enfatizar mais uma vez o quão bem pensado foi este filme e como todo o conjunto consegue trazer a força da protagonista Vitória e como cada elemento consegue ser base e apoio para o show de atuação de Fernanda Montenegro, que nos faz entrar em total comação, afinal, não tem como não sentir essa história enquanto, e depois, que assiste.


Vitória já estreou na rede Cinesystem e merece a sua ida nesse final de semana.



Siga nossas redes sociais e inscreva-se em nosso Canal no Youtube!

Commentaires


PARCEIROS

img cinema cinesystem
tela2Parceria_edited
tatuariaAlagoana.png
veloo-logo_edited_edited_edited
home vr logo
DTel_edited.png
ik3d_edited.png

2025 - Bang Company © - Todos os direitos reservados

  • YouTube - Canal Bang
  • Facebook - Canal Bang
  • Instagram - Grey Circle
  • Twitter - Canal Bang
bottom of page